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Líder de seita é suspeito de oferecer ‘sêmen divino’ e abusar de seguidores

Delegado diz que ele induzia participantes a praticar sexo grupal, em GO.
Além disso, há suspeita de crimes de estelionato e lavagem de dinheiro.

A Polícia Civil investiga o líder de uma seita religiosa suspeito de oferecer o próprio sêmen como forma de purificação para os seguidores, em Goiânia. De acordo com a investigação, o jovem Diego Augusto Morais, conhecido como Mestre, atua há pelo menos três anos na entidade, conhecida como Essenium, onde promete “conhecimento da existência humana”. Ele também é suspeito de induzir crime de pirâmide financeira, lavagem de dinheiro, de abusar sexualmente de integrantes e da prática de sexo mediante fraudes.

O G1 tentou contato com Diego, por telefone, mas o celular entra direto na caixa postal. Em nota, a defesa do líder espiritual negou a ocorrência de qualquer tipo de abuso sexual cometido pode ele.

De acordo com o delegado Isaías Pinheiro, titular do 1º Distrito Policial de Goiânia, o líder espiritual começou a ser investigado no último dia 14 de março, quando pais de jovens que participam da seita procuraram a Central de Flagrantes da capital.

“Eles disseram que os filhos foram vítimas de abuso sexual na entidade. No entanto, como não configurou um crime em flagrante, o caso foi encaminhado para investigação aqui no 1º DP. Desde então, já ouvimos testemunhas e alguns participantes, que relataram sobre os crimes cometidos por Diego”, contou.

Pinheiro diz que, entre os relatos das testemunhas, o que mais intrigou a polícia são as denúncias da distribuição do “sêmen divino” do próprio líder espiritual.

“Temos informação que mais de 100 pessoas participam da seita. Destas, o Diego selecionou cerca de 30, que participavam de uma divisão secreta, chamada de Kether. Eram na maioria jovens do sexo masculino, sendo que temos a confirmação da participação de apenas uma jovem. Essas pessoas recebiam o sêmen do líder em copinhos plásticos ou mesmo direto da fonte, por sexo oral. Mas ressalto que não eram todos os participantes da seita, apenas os integrantes do grupo seleto”, explicou o delegado.

Segundo a investigação, nas sessões que reuniam os integrantes do Kether também eram cometidos crimes de abusos sexuais e sexo mediante fraude.

“As pessoas ouvidas que ainda participam da seita confirmam que eram realizadas noites inteiras de sexo grupal, mas defendem o líder e dizem que não eram obrigadas. Tudo era consensual. Além disso, ressaltam que todas estavam sob efeito de hipnose. No entanto, outras testemunhas confirmaram que o próprio líder incentivava a prática de sexo entre os participantes e que ele, inclusive, abusava sexualmente de alguns dos seguidores”, diz Pinheiro.

O delegado diz que a única jovem identificada como integrante do Kheter prestou depoimento na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam), mas não soube dizer se era vítima de abuso. “Ela confirmou que teve visões do líder da seita fazendo sexo com ela, mas não tem certeza de que, de fato, isso aconteceu. No entanto, outras testemunhas confirmaram que ela foi vítima de vários abusos por parte do Diego”.

O delegado não acredita na hipótese de que os seguidores da seita sejam hipnotizados durante as sessões de sexo grupal. “Fizemos uma perícia em um dos locais onde funcionava uma sede e, especificamente no quarto secreto, onde o ritual era praticado, encontramos um líquido semelhante a sonífero. Ou seja, tudo indica que ele dopava os participantes e depois incentivava a prática de sexo entre eles. Isso configura a fraude. Ainda estamos no aguardo dos resultados das análises periciais”, ressaltou.

Delegado diz que líder de seita religiosa atua há pelo menos três anos, em Goiânia, Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Delegado diz que líder de seita religiosa atua há pelo menos três anos (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Estelionato
Segundo o delegado, a Essenium começou a funcionar em um imóvel no Setor Central. Depois, passou para outro endereço no Setor Sul e, mais tarde, foi desmembrada, tendo outra sede no Setor Marista.

“Começou com um grupo pequeno, que foi crescendo e aumentando o poder aquisitivo do líder. Os seguidores fazem doações e sustentam um padrão de vida luxuoso do Diego, que vive em boates caras, ostentando carros luxuosos e em viagens no exterior. Mas isso não é suficiente e ele induz os seguidores a praticar crimes de pirâmide financeira, cujo ramo de atuação ainda está sob investigação”, relatou.

Entre as pessoas ouvidas pela polícia, estão três idosas que tiveram os nomes usados pelo líder da seita para alugar os imóveis onde funcionavam as sedes da entidade. “Elas deram os documentos solicitados pelo Diego, mas não sabiam para que seriam usados. Com o passar do tempo,  os donos dos imóveis passaram a cobrar o alugueis que não eram pagos e elas descobriram que acumulam cerca de R$ 300 mil em dívidas”.

A defesa de Diego informou que nenhum seguidor foi coagido a fechar contrato de aluguel e que os imóveis foram cedidos de forma consensual. Diante disso, está em negociação o levantamento dos débitos para a integral quitação.

Pinheiro acredita que outros integrantes da seita tenham sido vítimas de golpes. “Entre os participantes estão pessoas de alto poder aquisitivo, que fazem altos repasses de dinheiro para o líder. Também estão muitos idosos, aposentados ou que têm uma boa pensão. Outros chegaram a fazer altos empréstimos e repassaram os valores para o Diego. Tudo isso em nome da purificação espiritual”, destacou o delegado.

A investigação também apura se o líder da seita religiosa cometeu o crime de lavagem de dinheiro. “Estamos tentando identificar contas que ele tem no exterior, para onde desvia os valores obtidos com os seguidores e com os crimes de estelionato”.

O delegado ressaltou que, após as denúncias, a Essenium deixou de funcionar nas antigas sedes. Porém, atualmente, continua realizando as sessões na casa de seguidores. “Ele [Diego] continua praticando os crimes e, infelizmente, enganando muita gente. Continuamos em diligências para que ele responda por todos esses atos ilícitos que vem praticando há pelo menos três anos”, concluiu o delegado.

Fonte: G1 Goiás

CrossLife
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