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MP de Goiás já investigava denúncias de abuso sexual contra João de Deus há seis meses

O Ministério Público do Estado de Goiás confirmou ao GLOBO, neste domingo, que o médium João de Deus vem sendo investigado pelo órgão desde o primeiro semestre de 2018, quando a procuradoria do MP de Abadiânia, no interior de Goiás, começou colher as primeiras denúncias de abuso sexual contra o líder religioso.

A pedido do Ministério Público, a Polícia Civil de Goiás também abriu um inquérito, em outubro deste ano, para investigar João de Deus. Os casos investigados pelo MP e pela polícia, no entanto, não têm qualquer ligação com as reportagens recentes do jornal O GLOBO e da TV GLOBO feitas a partir do depoimento de dezenas de relatos de mulheres que acusam João de Deus de abuso sexual.

A assessoria do MP encontrou, numa rápida busca no sistema informatizado do órgão, dois procedimentos abertos contra João de Deus a pedido de mulheres que se dizem abusadas sexualmente por ele. As mulheres teriam procurado o Ministério Público em Abadiânia — cidade onde o líder religioso mantém seu templo espiritual — imediatamente após o terem ocorrido os abusos.

Nova frente de investigações será aberta

A partir dos novos relatos de abuso trazidos à tona nesta semana, uma nova frente de investigação será aberta. O MP convocou uma coletiva de imprensa, para a manhã desta segunda-feira, para tratar do caso João de Deus e explicar como serão tocadas as investigações daqui para a frente.

Segundo a assessoria de comunicação do MP, os relatos de abuso sexual que chegaram à procuradoria do órgão, em Abadiânia, receberam a devida atenção. Como João de Deus é uma pessoa muito influente na região, o Ministério Público solicitou que o caso fosse investigado pela diretoria Geral da Polícia Civil, para “eliminar a possibilidade de o líder religioso exercer influência sobre o processo”.

“Não é a primeira vez, houve casos anteriores (de denúncias de abuso sexual cometido por João de Deus). Todos eles tiveram trâmite dentro do MP. Sobre os novos casos, uma das coisas que pedimos é que todas as vítimas procurem o MP”, diz o órgão.

Na tarde de sábado, a reportagem do GLOBO foi até Abadiânia. Nas dependências da Casa de Dom Inácio de Loyola, centro espiritual onde João de Deus atende fiéis de todas as partes do mundo, a ordem dada aos funcionários era uma só: “Silêncio”.

Zeladores, trabalhadores da lanchonete e até mesmo atendentes da recepção e da lojinha de itens religiosos do lugar estavam impedidos de comentar o caso.

Marajoara
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