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Relato de um sequestro 2.0

Apenas mais um dia na vida de um usuário do UBER.

Tudo que eu queria era chegar logo em casa. A chuva fina que caia fez com acontecesse o de sempre: os taxis de São Paulo foram teleportados pro mesmo lugar pra onde vão os isqueiros e tampas de bic. Easy taxi! Nada. Nenhum taxista aceitou. 99. Nada. Merda. Impressionante, choveu os taxis daqui somem. Tenho certeza de que eles se reúnem todos em um barzinho pra esperar a chuva passar e rirem de nossas caras durante o processo.

uber

Hum… tem o tal do Uber, né? Acho que tenho um voucher que recebi e… isso, R$ 20,00 de desconto. Aqui em São Paulo dá pra rodar umas duas quadras a 5km por hora. Vamos tentar. Instalando, cadastro e… é isso!

10 minutos e um carrão preto para na minha frente. Opa, que beleza, hein? Deve custar alguns anos de meu salário. Cheirinho de novo. Achei que só iria entrar em um carro desse em feirão de automóvel. Andar então…

– Boa tarde, senhor, muito bom poder atendê-lo. Pra onde vamos?
– Boa tarde, amigo — educado o sujeito! — Pode seguir pela JK, vamos pegar a marginal.
– Claro, senhor. A temperatura do carro está a seu agrado?
– Sim, sim, obrigado.
– A música lhe agrada? Tem alguma preferência?
– Não, está ótima, pode deixar.

O sujeito está me tratando tão bem que estou achando que ele quer me comer. Porra, sabia que usar essas roupas de publicitário era roubada. Melhor eu dar bandeira de que não curto. E deixar claro que não tenho nada contra quem curte também.

– O senhor aceita um chocolate?
– Quanto é?
– É de graça, por favor, pode se servir.
– De graça? — Opa, vou encher a mão aqui!

Rapaz… estranho isso. Sei lá, não estou acostumado com prestação de serviço assim não. Aqui em São Paulo quando um prestador de serviço lhe dá um sorriso pode conferir a conta novamente.

– Se quiser uma água tenho aqui e se precisar acessar a internet o veículo tem wi-fi.

Olha, que coisa… eu estava me sentindo um barão. É assim que um rico deve se sentir curtindo seu carrão com motorista. E tudo isso com R$ 20,00 de descon… CARALHO!!!! Que freiada foi essa? Puta merda! E que cace… ei!!!

– Desculpa, senhor, eles se jogaram na frente do carro!
– Eles? Mas…

O que é isso?! Dezenas de sujeitos batendo no carro. Pancadas em todo canto. Ovos. Farinha. Que porra é essa!?!?! Os caras são… são… são taxistas!

– TAXISTAS, UNIDOS, JAMAIS SERÃO VENCIDOS! EI, UBER, VAI TOMAR NO RABO! O POVO NÃO É BOBO, QUER O TAXI NO COMANDO DE NOVO!

Palavras de ordem, turba violenta! Minha nossa! Eles estão tentando abrir as portas. Ei, calma, não, a porta não.

– Força aí nessa porta, Waldemar!
– Segura aí, força, Roberval!
– Opa, opa, abriu, abriu!!!
– Tira o cara, tira o cara!

Me pegaram pelo colarinho, me tiraram do carro no braço! Porra, não tenho nada a ver com isso, só quero chegar em casa.

– Tá aqui, o passageiro tá na mão!
– Quem tá na vez, quem tá na vez?!
– Tonho é o da vez! Arrasta o cara, arrasta o cara!
– É teu, Tonho, é teu!

Porra, esses putos estão me sequestrando é?!?!?

– Entra aí, compadre.
– Mas que bosta é essa?
– Livramos você desse motorista pirata, mermão, entra aí, vai logo!

Como se eu tivesse alternativa.

O coitado do motorista do Uber todo encolhido, os caras quebrando tudo. Que merda é essa. Me jogaram em um carro meia boca, cheirando a mofo e cigarro. O barulho lá de fora se misturava com a música gospel que tocava no som do carro e o chiado agudo do rádio da cooperativa.

– E aí, mano, vai pra onde? — Me perguntou um motorista com a camisa aberta até o umbigo, tipo Augustinho Carrara, e um palito na boca.

Sem opção, respondi.

– Vou pra Osasco e…
– Ah, mano, Osasco? Nem fodendo, levo não, desce aí vai…

PS. Achei que inserindo chuva em uma CRÔNICA que acontece em São Paulo e terminando com esse final já deixaria claro se tratar de uma obra de ficção mas pelo jeito preciso ESCREVER isso porque tem gente que realmente não conseguiu perceber… vai lá, né…

Enquanto isso...

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