Pequi é muito “mió” que sushi. Se forem dividir o Brasil, me deixem do lado que tem pequi. Pizza com borda de pequi: criaram a oitava maravilha. São frases de efeito como essas – sempre acompanhadas de fotos do exuberante fruto do Cerrado – que fizeram do perfil de humor Enquanto Isso em Goiás, criado pelo comerciante Evandro Duarte, de 37 anos, um sucesso na internet. São 1,2 milhão de seguidores no Facebook e mais de 383 mil no Instagram.

“Pequi você ama ou odeia. Não tem meio termo. Eu amo. Fiz a página há oito anos como forma de zueira com os traços da goianidade. Não imaginava que teria tanta repercussão”, explica o rapaz, que se autodefine “goiano raiz” e “comedor profissional de pequi”. A popularidade o estimulou a deixar um emprego público e abrir um empório que tem o fruto de polpa macia e amarela como carro-chefe de produtos. Licor, óleo, farinha, pasta, conserva, molho condimentado e até doce à base de pequi são vendidos na loja.

Mais do que alimento, o pequi simboliza para muitos goianos parte da cultura voltada para os encontros familiares e o resgate da confraternização da vida rural. O que pouca gente sabe é o poder dele como aliado da saúde e boa nutrição. “O pequi é rico em ácidos graxos monoinsaturados, os mesmos encontrados nas oleaginosas e no azeite. Eles auxiliam na redução de níveis de colesterol LDL e na prevenção de doenças cardiovasculares”, explica a nutricionista Tatiana Pontes.

Rico em potássio, o fruto tem potencial de prevenir problemas como o acidente vascular cerebral (AVC) e a hipertensão. “Além desses benefícios, o pequi é rico em vitaminas A, C e E, betacaroteno e fibras”, explica a nutricionista. O pequi, de acordo com Tatiana, é bom para a imunidade, para a visão e para a pele. “É um alimento com alto teor de carotenoides, que fornece a cor amarelo-alaranjado, e de lipídios, magnésio, zinco e fósforo”, complementa a nutricionista Claudia Daud.

Uma dica dela é que, quanto mais forte a coloração amarela da polpa do fruto, maior é a concentração de carotenoides, que são antioxidantes. “A substância contribui para retardar o envelhecimento das células e reduzir o risco de doenças crônicas”, explica Claudia. A ação antioxidante também ajuda a reforçar a saúde dos olhos, reduzindo a degeneração macular e até mesmo a catarata, que são causadas pelos radicais livres.

Apesar de ser utilizado em diversas formas, a recomendação dos nutricionistas para aproveitar o potencial antioxidante e as propriedades anti-inflamatórias da fruta é consumi-la de preferência in natura. “Essa é sempre a melhor escolha. Por ser um alimento gorduroso, deve-se atentar à quantidade de consumo. Não é bom o exagero. É preciso tomar cuidado também com os espinhos no interior do caroço. Ele não deve ser mordido e sim raspado, a fim de se obter sua polpa”, orienta a profissional. Seja pelo sabor ou pelo cheiro, o pequi vai sempre dividir opiniões, mas não se pode negar que ele é uma aliado e tanto da dieta.

Raio-X do pequi

Nome científico: Caryocar brasiliense Camb.

Frutificação:

De outubro a fevereiro

Benefícios:

É bom para a imunidade, para a visão, para a pele e ajuda muito a diminuir o nível de colesterol ruim.

Usos:

O caroço e a amêndoa podem ser usados na culinária e na extração de óleo. A madeira pode ser utilizada na fabricação de móveis rústicos, caibros e outros. O óleo é também usado na indústria de cosméticos para fabricação de cremes e sabonetes.

Foto: Fábio Lima / Jornal O Popular