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Teste: você é corrupto?

A corrupção está em pauta. Além dos bilhões desviados da Petrobrás com a conivência da presidenta no escândalo conhecido como “Lava-Jato”,  estão em curso também as investigações do maior escândalo de sonegação fiscal da história, conhecido como  “Operação Zelotes”, envolvendo o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, e desvios que somam o triplo do escândalo petralha. Sem falar na longa lista de empresários e celebridades investigadas por desviar dinheiro para contas do HSBC suíço, divulgada pelo vazamento conhecido como “Swissleaks”. Várias decepções para o povo brasileiro. Políticos são todos corruptos filhos da puta, ninguém pode se dizer surpreso, Tom Jobim já morreu, e portanto virou santo, mas oFrancisco Cuoco é sacanagem.

Contudo, se você fica escandalizado com o noticiário dos dias atuais, decerto não deve ter tido oportunidade de acompanhar as notícias sobre corrupção das décadas anteriores. Talvez deva imaginar em seus devaneios ufanistas que o Brasil é a pátria da “ordem e progresso”, e não o país do “jeitinho”.

Enquanto pipocam casos de crimes do colarinho branco nas mais altas esferas do poder, costuma-se levantar uma interessante questão: seriam tais escândalos apenas reflexo da mentalidade corrupta generalizada na sociedade brasileira?

A premissa

Uma campanha da Controladoria-Geral da União (vejam vocês a ironia) encampou justamente este protesto, recorrente nas timelines, contra ospequenos atos de corrupção do cotidiano. Afinal, cidadãos que não cumprem com a lei não possuem legitimidade para reclamar de governantes que não cumprem a lei, certo?

Isso é o que nós vamos ver.

Contra todo maniqueísmo, que tenta argumentar antagonizando valores, vale sempre uma reflexão mais atenta. Não é por menos que dizem que entre o preto e o branco existem os tais tons de cinza.

O teste

Mas antes de qualquer consideração, vamos ao teste. Responda às perguntas abaixo com sinceridade:

1. Suponha que o show da sua banda internacional favorita se apresente com preços ainda mais exorbitantes que de costume, e você perceba que a tabela de preços diferenciados e os procedimentos na venda de ingressos são meramente ilustrativos, para cumprir uma mera legalidade enquanto se cobra um valor normal pelo “meio-ingresso”. Suponha que você não seja estudante, que não tenha condições de pagar pelo ingresso integral e que falsificar uma carteirinha seja algo ridiculamente simples e trivial entre seus pares. Você iria ao show (ou ficaria no Facebook postando denúncias de corrupção)?

2. Suponha que você perceba o engodo dos pacotes de TV a cabo vendidos meticulosamente separados com o objetivo de inviabilizar o seu entretenimento. Suponha que o melhor técnico que você já viu em serviço o aborde com uma proposta irrecusável que envolve a liberação de todos os canais – inclusive os de putaria de verdade que não são aqueles pastelões ridículos conhecidos como “soft porn” – em troca de um trocado e um leve desconforto moral. Você assistiria ao próximo episódio de Game Of Thrones (ou se contentaria com a novela)?

3. Suponha que você considere certas práticas capitalistas um abuso de direitos, mas perceba que formalizar denúncias ou encampar um processo judicial contra certas pessoas jurídicas é mais improdutivo que o mandato dos políticos brasileiros. Suponha que você esteja ficando doente de ansiedade para assistir a um filme que só vai ser posto à venda daqui a alguns meses, por um preço completamente exorbitante. Suponha que você tenha acesso a uma versão, digamos, “genérica” do mesmo produto, através de um vendedor informal de DVDs, ou a apenas um clique de mouse na sua locadora de filmes pessoal (e igualmente informal). Você procuraria por um torrent legendado na melhor resolução possível (ou seria vítima de spoilersnas redes sociais até sair a versão oficial)?

4. Suponha que você tenha chegado com três horas de antecedência para assistir àquele show da sua banda internacional favorita que mencionamos acima. Suponha que na hora da abertura dos portões, uma confusão generalizada seja formada, misturando pessoas nas primeiras posições com pessoas que chegaram depois “furando” a fila. Suponha que você já não saiba mais quem estava na sua frente, mas vislumbre uma oportunidade infalível de evitar o tumulto e passar na frente de todos. Você penetraria sorrateiramente (ou iria para o fim da fila)?

5. Suponha que você tenha perdido sua carteira de motorista durante uma viagem, e que a única pessoa habilitada a dirigir esteja passando muito mal. Suponha que cinco minutos após você, mesmo desabilitado, assumir o volante para evitar o pior, o carro seja parado por uma blitz em que o policial pareça um personagem saído do filme Tropa de Elite 2 clamando – de forma bem contundente – por um “faz-me rir”. Você seguiria sua viagem tranquilo (ou faria questão de que fossem aplicadas as sanções do Código de Trânsito e as sanções “informais” do agente da lei)?

6. Suponha que você seja um jovem prodígio da matemática, campeão de quatro olimpíadas consecutivas, mas esteja cagando e andando para os afluentes do Rio Amazonas. Suponha que sua prova de Geografia, matéria em que você já está pendurado, esteja extremamente mal-formulada, medindo apenas a sua capacidade de memorização de informações irrelevantes. Suponha que o livro didático com todas as respostas esteja aberto na página certa, ao alcance de seus olhos e mãos. Você passaria de série (ou tentaria novas técnicas de “decoreba” no ano que vem)?

7. Suponha que o profissional mais competente da sua equipe de trabalho esteja envolvido em uma emergência médica de um parente próximo. Suponha que o sistema de controle de horário de sua empresa seja implacável e uma nova ocorrência no ponto eletrônico poderia fazer seu colega perder o emprego. Suponha que você saiba que a senha dele é “empresademerda171″. Você cometeria um engano por distração e daria entrada no ponto alheio (ou iria acumular as funções do seu colega demitido)?

8. Suponha que você seja acometido por um mal súbito de saúde e fique completamente impossibilitado de se deslocar para qualquer lugar que não fique entre a cama e o vaso sanitário. Suponha que após certo repouso e medicina alternativa você esteja quase totalmente recuperado, mas ao ser atendido num hospital após o horário de expediente descubra que, por não apresentar quaisquer sintomas, é impossível obter um atestado médico retroativo. Suponha que um médico conhecido da família seja muito compreensivo e saque o carimbo e o receituário do bolso do jaleco sem qualquer hesitação pra lhe fornecer o documento. Você justificaria sua falta (ou correria o risco de sofrer sanções disciplinares e deduções no salário)?

Fonte: Teste: você é corrupto? – TRETA

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